sábado, março 02, 2002
 

O Fim


E aki termina este diário de viagem...

Viajar é demais... 
 

A Primeira Semana


A Primeira semana no Brasil e no ITA foi atípica. A Eletrônica parece ser bastante legal e sem tantas aulas quanto no fundamental; Revi todo o pessoal da minha turma...; A Eletronica possui os mais excentricos da turma...; já fiz uma das 2 provas das quais havia faltado no ano passado e acho que fui bem; fiz aulas demonstrativas de Hap-Ki-Do e Tae-Kwon-Do e visitei uma academia de Kung-Fu em São José dos Campos...  
 

A Festa de Chegada


No Sábado à tarde, houve uma festa em casa, com uma feijoada... Eu deixei o Brasil comendo feijoada e voltei comendo feijoada. 
domingo, fevereiro 24, 2002
 

O Troféu


Chegando no Aeroporto, fui no FreeShop comprar as coisas que meu pai havia pedido, mas só encontrei metade...

Na alfandega fui declarar as sementes de flores que estava trazendo, mas o kara deixou eu passar sem declarar.

Meus pais me deram um troféu, com as palavras "conquest", "overcome" e "challenge" escritas...

 
 

A Viagem de Volta


O Taxi me pegou em Boxmeer 6:00 e depois de pegar outras pessoas em outros pontos da Holanda, chegou no aeroporto 8:30. O avião atrasou uma hora pra decolar e durante a viagem, assisti dois filmes ("Legalmente Loira" e "Bandits") em Inglês com legenda em Holandês, li a revista do avião, li meu resumo de Relatividade Geral... Deu pra espreguiçar bastante, pois o banco do meu lado estava vazio. Viajar de dia é bem melhor que viajar a noite... 
quinta-feira, fevereiro 21, 2002
 

Tchau


Iniciando jornada de volta... 
 

Numerofilia


Curiosidades generikas...

Distância Total Percorrida: Considerando que nos meus dias de viagem (aproximadamente 35 dias) eu tenha andado durante 8 horas a 5km/h, isso resulta num total de 1400km percorridos, quase 1 quarto do raio da Terra! Também indica que eu passei 12,5% do meu tempo andando...

Máxima Distância Percorrida em 1 dia: deve ter sido em 24 de Dezembro, quando fui pra Suécia e voltei. Estimo que tenha andado mais que 30km e ainda com 40litros de roupas nas costas, debaixo de chuva, neve, vento e frio.

Máxima Distância em Corrida com Carga: 1,5km em Nurnberg, com 40litros de roupas na mochila. Por causa de um atraso no check-out do albergue, tive que correr do castelo até a estação pra não perder o trem. O ar frio congelava meu pulmão, a mochila ficava pulando nas minhas costas e as ladeiras estavam congeladas e escorregadias. Cheguei na estação a tempo... É realmente ruim correr com carga.

Maior Tempo Acordado: 39 horas seguidas, no final-de-semana em que visitei o Delta Final, a barragem pra não deixar o mar entrar... Não consegui encontrar lugar pra dormir em Amsterdam.

Menor Temperatura Registrada: 9 graus abaixo de zero, em Copenhagen. Mas a sensação térmica era de algo mais quente.

Maior Temperatura Registrada: 14 graus, em Karlsruhe. Mas a sensação térmica devia ser de 5 graus.

Batatas Consumidas: Estimo por volta de 50...

Maior Altitude: 2002 metros, no pico Molesón nos alpes da Suiça.

Menor Altitude: Provavelmente alguns metros abaixo do nível do mar, em algum ponto da Holanda...

Consumo de Chocolate: Assumindo que eu tenha consumido em média 200g de chocolate em cada dia de viagem, meu consumo total deve estar por volta de 7kg!

Quantidade de Brasileiros com os quais tive contato: 14...

Horas na Frente do Computador: 12 horas por dia, por 52 dias... Isso dá aproximadamente 25% do meu tempo aki...

Maior Sensação de Frio: Ainda estou em dúvida – num dia de ventania em Kopenhagen ou no chão frio da estação de Rotterdam.

Maior Período sem Tomar Banho: 5 dias, na minha primeira semana.

Número Médio de Banhos: 1 a cada 3 dias.

Número de Palavras no Blog: 28000...

Número de Caracteres no Blog, contando também os espaços: 165000... 
 

Despedidas e Preparações Finais


Já está praticamente tudo pronto pra minha volta...

Teve uma festa de despedida aki na Stork, com dois bolos que eu comprei e eu também já me despedi do Jan e da Nel...

As coisas estão cabendo mais facilmente do que eu imaginava nas malas...

Fechei minha conta no banco hoje... Os gastos sobrenaturalmente altos em Londres, Delta e Fokker me fizeram terminar com menos dinheiro do que eu estava estimando antes dessas viagens...

Ainda não sei o horário do meu taxi amanhã.
 
 

Arquitetura Holandesa


A arquitetura holandesa é bastante interessante: As janelas são bem grandes, estilo vitrine, e dá pra ver tudo que tem dentro; os telhados tem uma inclinação bem grande e frequentemente contem janelas, as vezes saltando pra fora; as escadas procuram ocupar o mínimo espaço possível, o que gera incoerencias com o fato do povo holandês ter a maior altura média do mundo... 
 

Olímpiada de Inverno


Outra coisa que andei vendo na TV foi a olimpíada de Inverno, com esportes muito bizarros... (Hockey, Patinação, Duatlon, um esporte de escorregar pedras no gelo, Snowboard, Saltos de Esqui...) 
 

Televisão


Nas últimas semanas passei a assitir seriados, além dos canais de Música. Alguns dos que eu acabei assitindo mais, por coincidir com o meu horário livre, foram: Dharma e Greg, Gilmore's Girls, Scrubs... 
 

Urinando em Amsterdam


Algo que eu esqueci de contar de Amsterdam...

Após verificar que não havia vagas em albergues, não aguentava mais segurar a urina dentro do meu corpo. Comecei a procurar algum canal, mas estava no centro da cidade, cheio de gente... O canal deserto mais próximo estaria bem longe dali...

Mas assim que cheguei ao primeiro canal, me deparei com uma estrutura metálica em espiral numa esquina na beira do canal, própria para urinar... É muito bizarro: fazer ali no centro da cidade com todo mundo vendo. 
 

A Antena Gravitacional e a Fokker


Quando o Hans esteve aki, me arranjou uma visita na empresa Fokker Aerostructures, pertencente a Stork e localizada em Pappendrecht, e falou com meus chefes para me liberarem algum dia para eu ir lá. Well, esse dia foi ontem e eu aproveitei também pra ir pra Leiden visitar o Kamerlingh Onnes Laboratory onde está sendo construída a Antena Gravitacional Holandesa cujo grupo de pesquisa coopera com o grupo brasileiro, do qual faço parte como bolsista de iniciação científica no INPE.

A viagem como um todo me custou uma fortuna, pois, além do trem (fazendo um círculo pela Holanda toda), tive que pegar taxi (35euros) pra ir e voltar da Fokker.

Fui primeiramente para Leiden. Meu contato lá era Giorgio Frossati, um pesquisador que passou vários anos no Brasil e fala portugues. Mas no fim acabei nem falando muito com ele. Falei com outros dois pesquisadores e uma pesquisadora. Eles me mostraram tudo da antena. E eu consegui entender praticamente tudo das coisas semi-técnicas que eles me falaram... Muito legal ver a antena. A construção na Holanda está num estágio mais avançado que no Brasil... e como a minha parte é teórica (pesquisa das fontes astrofísicas que geram ondas na frequência desejada), nunca antes tinha visto nenhuma parte do equipamento de detecção.

Na Fokker, quem me guiou foi Larry de Vaal, do departamento de vendas e marketing. Em 2 horas ele me explicou como funciona a economia no mercado aerospacial, falou sobre a estrutura, história e posição atual no mercado da Fokker e me mostrou as enormes áreas de produção e engenharia... Depois me deu vários folhetos e uma caneca da Fokker. 
segunda-feira, fevereiro 18, 2002
 

Idiomas


Antes de vir pra cá, fazia 2 anos que eu não falava Inglês (a não ser com o Alexandre do meu Apê) e 8 meses que eu havia começado a estudar Alemão.

Como já disse o Holandês é um idioma que está entre o Inglês e o Alemão. É impossivel aprender Holandês apenas estando na Holanda. Todo mundo aqui fala Inglês, então não há necessidade (ou melhor, estímulo) de aprender... Os holandeses acham que o idioma deles é o segundo mais difícil do mundo, depois do chinês. Mas Português deve ser muito mais dificil que Holandês... (Uma lingua misturada entre Ingles e Alemão nao pode ser tao dificil assim...).

Eu adoro a complexidade e flexibilidade do Português...

Percebi que o estudo do alemão afetou bastante o meu uso do Inglês. Demorei pra começar a usar o "must" e mesmo assim tenho usado pouco... No começo sentia uma estranha necessidade de usar o "shall". Como uma das últimas coisas que estudei em alemão foi o passado através do uso do verbo auxiliar "haben", demorei pra começar a usar os verbos diretamente no passado (sem auxiliar "have") ao falar inglês...

Em alguns momentos cheguei a pensar em inglês. E as vezes cheguei a falar em Inglês com brasileiros... (Por exemplo, quando fui almoçar com o Hans, falei parcialmente em Inglês que eu ia buscar meu casaco...). Uma cena engraçada foi quando o Rudolf estava conversando comigo e acabou dizendo algo assim: "quando elas estão together"...

O legal de conviver algum tempo num grupo que conversa num idioma que não é principal de nenhum dos integrantes é ver como o idioma comum (no caso, o Inglês) vai sendo adaptado rapidamente para satisfazer a necessidade do grupo. Vocabularios, sintaxe e entonação vão mudando com o tempo... 
 

A Casa


Não posso terminar este diário sem contar sobre a casa.

No térreo fica uma loja de bicicletas bem grande e também a cozinha da casa e uma mesa. Uma escada em espiral leva ao 1 e 2 andares.

No primeiro andar, há a sala de TV (que não cheguei a usar), um banheiro com banheira e vários quartos que eu não conheço.

No segundo andar fica o meu quarto, um banheiro sem banheira e outros quartos vazios.

O meu quarto tem por volta de 4m de comprimento por 2m de largura, nos quais estão distribuidas a minha cama de colchão mole (que saldades dos meus colchões duros do Brasil), uma TV, 2 cadeiras, uma mesa com abajur, um criado-mudo, um lugar pra pendurar roupa (evidentemente, eu uso também as cadeiras e o chão pra por roupa), um aquecedor elétrico... Também tem dois guarda-roupas do lado de fora do quarto... Já experimentei diversas configurações para essas coisas dentro do meu quarto...

O telefone que eu uso pra ligar pra casa e que as vezes trava no meio da conversa fica localizado na loja de bikes.

A casa esteve em reforma e, por isso, era bastante empoeirada, não tinha água quente e ainda não tem aquecimento central. Pra tomar banho, eu costumava ir na casa de uma das filhas da Nel e do Jan, a uns 2km de distancia numa das outras pontas de boxmeer. Foi voltando de uma dessas idas que eu vi neve pela primeira vez. Na semana passada, o banheiro do primeiro andar ficou pronto com água aquecida...

Pra entrar na casa tem um portão e duas portas. O portão tem um esquema estranho pra abrir. 
 

Amor-Perfeito


Dizem que a Holanda é o país das flores, só que eu vi muito poucas, pois é inverno.

A única flor que costuma ter, pelo que eu tenho visto, é amor-perfeito, uma das que eu acho mais interessantes (e uma das únicas que eu sei o nome), por causa do Caos na coloração... Agora descobri outro fato interessante sobre ela, a resistência ao frio. 
 

O Delta: A 8 Maravilha do Mundo


Cheguei em Middelburg bem cedo, bem antes do que eu pretendia nos meus planos iniciais de dormir em Amsterdam. Isso era bom, porque eu poderia voltar pra Boxmeer mais cedo pra descansar...

Andei um pouco pela cidade, indo em direção a central de turismo, que, como eu esparava estava fechada àquela hora da manhã. Voltei pra estação e descobri que onibus eu tinha que pegar pra ir pro Deltawerken ("trabalhos do Delta"). O onibus iria demorar um pouco. Fiquei andando pelo canal e acabei vendo uma ponte bem diferente levantar pra um barco passar...

Peguei então um onibus que me deixou num outro ponto onde eu teria que pegar um outro onibus. Só que o próximo onibus só viria em 2 horas! Meus planos de voltar pra Boxmeer estavam arruinados e além disso, como meu passe de onibus valia pra 1,5 horas apenas, eu tive que pagar 2 vezes (uma fortuna: 4,20 euros cada passe!). Nessas duas horas, fiquei andando por aquela região da qual nao tenha ideia da localização, fiz alongamento no Sol e comi amendoim...Em 2 horas dá pra atravessar a holanda de carro e eu só queria que o Onibus me levasse alguns quilometros...

Mas enfim acabei chegando lá 13:00. É um lugar muito estranho. Areia; a única vegetação é mato; Vários cata-ventos que estavam extraordinariamente parados (não havia vento, apesar de normalmente ventar muito nessa região. Até levara óculos de Sol pra proteger meus olhos).

Entrei no museu que tem ali.Nele podia-se ver como a construção de barragens foi evoluindo com o tempo. Também eram mostrados mapas da Holanda em diferentes épocas: é impressionante como a Holanda foi afundando e depois os holandeses foram recuperando as terras de volta e expulsando o mar.

Em 1956 houve uma grande inundação da região, que levou a contrução da barragem, considerada pelos holandeses a 8 maravilha do mundo. Se eu consegui entender direito a informação estatística que estava mal-apresentada, a probabilidade de que, num dado ano, ocorra uma inundação novamente é de 0,025%.

A entrada no museu permite andar dentro da barragem, que estava aberta, pois o clima estava bom e a maré não estava alta. Estando lá, tive a impressão que o mar do lado de fora estava meio metro mais alto que o mar do lado de dentro da Holanda... Havia uma linha vermelha indicando a altura que o mar chegou durante a grande inundação: e é bizarro, eu olhava pro horizonte e nada estava acima dessa linha...

Depois da visita ao Delta, a volta pra Boxmeer foi bem tranquila e eu não tive mais que ficar esperando por trens e onibus... Estava tão cansado que já não conseguia mais manter pensamentos lineares por muito tempo... Ao todo foram 39 horas sem dormir... 
 

Uma Noite numa Estação


Em Haia, o albergue estava fechado, ao contrário do que dizia o maldito guia de albergues.

Existem trens noturnos conectando apenas a região de Haia-Rotterdam-Amsterdam. Peguei então um trem pra Rotterdam, que estava na rota do meu ticket. Já havia decidido não procurar albergue em Rotterdam, pois não era tão perto da estação e provavelmente estaria fechado também... Tudo que eu queria era que o trem quente demorasse o máximo possivel pra chegar no destino... mas chegou extremamente rápido.

De 3:00 à 6:00 fiquei então na estação de Rotterdam. Eu, o chão frio e os traficantes. A estação de Haia era mais quente. Fiquei alternando: ficava algum tempo sentado no chão, até minhas nádegas perderem sensibilidade por causa do frio, daí andava um pouco pela estação pra esquentar... A polícia revistou um pessoal, evento que me distraiu um pouco... 
 

Amsterdam: O Retorno


Cheguei em Amsterdam e decidi aproveitar as horas de Sol antes de ir pro albergue (o Albergue que eu queria ficar era meio fora da região onde eu queria andar).

Primeiro fiquei andando pelo centro e entrei em várias lojas de Souvenir. Tem coisas engraçadas: uma camiseta que diz "meus amigos me dizem que estive em Amsterdam, mas eu não me lembro"; outra que diz "Não discrimino, Odeio todo mundo"; vários acessórios para maconheiros; "Flores" típicas da holanda (espécies de maconha)... No bloemenmarkt, entrei numa loja cujo cheiro era estranho e que tinha um gato preto semi-consciente estendido na prateleira e vendia coisas como cogumelos, ervas psico-ativas...

Depois fui pra praça dos museus e fiquei patinando no gelo 1 hora por lá, durante todo o crepúsculo. Prefiro patinação de rua. Os ringues do Brasil são melhores. Como a temperatura aki fica próxima de zero, o gelo não derrete, provocando a formação de buracos e dunas a medida que o pessoal vai patinando... Os ringues aki são a céu aberto também...

Logo depois que escureceu, parei de patinar e fui pro albergue, que estava lotado... Eles me deram um papel com os endereços de vários albergues e hotéis baratos de amsterdam. Fiquei 2 horas indo de albergue em albergue e todos estavam lotados... No último que eu fui, pertencente a Hosteling International, havia um mural com os horários de trem saindo de Amsterdam. Como eu já tinha passagem de amsterdam pra Middelburg no domingo, decidi ficar em Amsterdam e pegar um trem pra Haia, que é razoavelmente perto de Amsterdam, fica na minha rota pra Middelburg e tem albergue que, segundo o livro fica perto da estação e aberto 24horas.

Fiquei então andando pelo RedLight District. Entrei no museu da maconha. Lá havia, entre outras coisas: uma produção indoor de maconha; o nome da maconha em várias línguas diferentes; diferentes acessórios usados por maconheiros de diferentes partes do mundo; usos industriais e medicinais da maconha; composição química e comparação com tabaco, espécies de maconhas. O museu é patrocinado por um dos principais produtores de maconha, então evidentemente algumas das informações ali não devem ser totalmente verdadeiras...

A cidade parecia estar mais cheia do que da outra vez e, provavelmente por causa disso, havia menos variedade de prostitutas nas vitrines. Dessa vez cheguei a ver uma casa com 3 andares de vitrines! Tropecei num traficante e vice-versa...

Quando estava indo pra estação, acabei achando um albergue barato com vagas, mas drogas eram permitidas nele então decidi continuar com meus planos de ir pra Haia. 
 

O Surreal Cenário Holândes


Normalmente, o que se espera é que maiores volumes de água se concentrem em terrenos mais baixos. Essa regra estranhamente não é válida por aqui. Durante a minha viagem de trem de dia pela Holanda, pude ver vários rios e canais correndo paralelamente, mas em níveis diferentes... e quanto maior o volume de água, maior a altura... E num nivel mais baixo que os canais e rios, ficam as plantações e casas e estradas...

Observar um cenário assim é muito estranho pra intuição.

A terra é totalmente planificada, com exceção dos morros que contem as águas em diferentes níveis... E esses morros são perfeitamente arredondados. Dá a impressão que terra aki deve ser algo precioso, para eles calcularem tão bem onde agrupá-la...

Todas as plantações são circundadas por canais. Cada fazenda parece uma pequena ilha retilinizada. 
 

Haia


No meu último final-de-semana estava pensando em ficar em Boxmeer e eventualmente visitar alguma coisa por perto... Estava sem planos e não estava achando isso tão ruim. Não aguentava mais ficar esperando trens... Mas aí, na sexta ao meio-dia, meu pai me ligou e sugeriu que eu fosse pra Amsterdam novamente. No fim da tarde, o Jeroen me sugeriu o Deltawerken, a barreira contra o mar na província da Zeeland.

Então acabei decidindo de última hora ir pra Haia e Amsterdam no sábado, dormir em Amsterdam e ir no domingo pro Delta.

O trem passou por cima de um rio com arvores inundadas no meio. Pensei em tirar uma foto e foi aí que eu percebi que tinha esquecido de trazer a câmera! Então esse final-de-semana não estará registrado em fotos...

O clima estava muito bom pra viajar e ver a paisagem do trem. Como eu quase sempre andei de trem a noite na Holanda, dessa vez eu pude notar várias coisas interessantes sobre o surreal cenário holandês!...

Haia é uma cidade bastante legal, com palácios, prédios do governo e embaixadas do mundo inteiro. Como já disse, a capital da Holanda é Amsterdam, mas o governo fica em Haia. 
sexta-feira, fevereiro 15, 2002
 

Corrida de Cavalos


Segunda-feira de manhã, fui junto com Dave e sua família assistir a uma tradicional corrida de cavalos que ocorre em Boxmeer há 250 anos.

Uma estrada entre duas vilas próximas é coberta de areia e 27 cavaleiros correm em 13 corridas com 3 participantes cada, até determinar o vencedor, que ganha uma salsicha gigante!!... E também tem uma corrida com vários cavalos pesados e lentos, próprios para trabalhar, não para correr...

Como cheguei no final, assisti a final, uma das semi-finais e a corrida dos cavalos pesados...

E, evidentemente, como é carnaval, as pessoas ficam todas fantasiadas assistindo.

Como era um campo aberto, apenas com plantações ao longo da estrada, o vento era absurdo! Acho que nunca vi tanto vento! E a temperatura 14 graus... 
 

Darmstadt e Karlsruhe


No último final-de-semana fui visitar o Rudolf e passar o carnaval por lá. São cinco horas e meia de trem. Peguei o trem direto do trabalho... Pra variar, passei por Kolonia. E várias pessoas estavam indo pra lá fantasiadas. Li na CNN que Kolonia passaria a multar quem urinasse na rua, pois o ato estava se tornando uma tradição carnavaleca por lá...

Cheguei em Karlsruhe 22:59 e o Rudolf apareceu na plataforma alguns segundos depois. Fomos pro alojamento do departamento internacional, onde estava tendo uma festa com pessoas de tudo quanto é parte do mundo (2 brasileiros, além de mim e do Rudolf) e sem fumaça (pois havia detectores)....

O alojamento lá é muito legal. O Departamento Internacional oferece graduação em Engenharia Mecância e mestrado em Elétrica. As aulas são em inglês e seguem o esquema americano, ao invés do alemão.

Depois da festa, o Rudolf me mostrou o RedLight district de Karlsruhe, que é justamente em frente da faculdade de engenharia da Universidade de Karlsruhe... Mas como já era tarde, estava bem vazio.

Fomos dormir quase 4:00 da manhã e acordamos 8:30, pra pegar trem pra Darmstadt, cidade onde o Rudolf morou no outro período em que esteve na alemanha e onde estava tendo a exposição "Lebensreform" ("Reforma da Vida").

O "Lebensreform" se constituiu de vários movimentos alemães propondo alterações no modo de viver. Alterações nas artes, na arquitetura (maximização da praticidade, iluminação...), na alimentação (vegetarianismo), nas roupas (nudismo...), na religião (uma espécie de primórdios do New Age atual)...

A filosofia de Nietzsche influenciou bastante esses movimentos, tanto que havia uma seção da exposição dedicada a ele.

A parte arquitetonica e artistica é conhecida como "Jugendstil" ("Estilo da Juventude") e o Rudolf me mostrou o Jugendstil pelas ruas de Darmstadt.

Vários dos princípios do Lebensreform são bastante interessantes, mas eles também deram origem a coisas bizarras: o Nazismo surgiu como uma facção desses movimentos...

Na volta, um fiscal incompetente riscou o que não devia na minha passagem de trem, me fazendo perder 1 dos meus 15 dias... Eu reclamei e o Rudolf falou em alemão com ele. O idiota ainda falou que eu estava querendo trapacear e falou também outras coisas que mostram claramente toda a ignorancia dele para lidar com o passe EURail Youth Flexi. Pegamos o nome dele, mas não me lembro mais onde pus o cartão... (Na maioria dos trens que peguei, os fiscais demonstraram algum desconhecimento do EURail...).

Tanto em Karlsruhe quanto em Darmstadt, andei bastante de bonde. Sistemas de bonde bastante eficientes, mas também muito caros.

Teve outra festa no alojamento. Pelo que eu entendi, era aniversário de alguem de algum país da américa latina... Fomos dormir 3:30...

No domingo a tarde, fomos ver um desfile de carnaval num bairro de Karlsruhe. O pessoal que vai passando nos carros, vai jogando bala nos que estão nas calçadas assistindo. Jogam as balas na cara... Todo mundo fantasiado, andando a toa pelas ruas... Segundo o Rudolf, o carnaval começa em 11/11, 11:00 e as fantasias tem o objetivo de espantar o inverno...

Depois do carnaval, fomos visitar o castelo. Karlsruhe surgiu como uma cidade planejada, construida sobre um pantano. o planejamento foi feito de tal forma que o castelo fica ao mesmo tempo no centro e na periferia... ou seja, o centro fica na periferia...

Peguei então o trem de volta pra Boxmeer... 5,5 longas horas... 
quinta-feira, fevereiro 14, 2002
 

Estranha Coincidência Élfica-Céltica-Nietzscheana


Tudo começou aproximadamente no fim do primeiro semestre de 2001, quando o Rudolf disse que eu tinha descendencia élfica.

Depois disso, li dois livros de Nietzsche: "Além do Bem e do Mal" e "Humano, Demasiado Humano" (no qual pude ver praticamente uma descrição da evolução do meu próprio pensamento até então...)

E também comecei a me interessar por músicas com um certo estilo celta (embora eu seja péssimo pra delimitar estilos musicais).

O que essas três coisas desconexas tem a ver?? Pois é:

Li um artigo sobre o mito dos elfos (e quanto de realidade existe neles) e a suposta cronologia e território élficos tem muitas intersecções com os da civilização celta. Fim-de-semana passado, visitei a exposição "Lebensreform" ("Reforma da vida") e lá havia várias edições bastante antigas de livros de Nietzsche, com símbolos celtas nas capas... Além disso, eu provavelmente não tomaria conhecimento da conexão se não estivesse na Europa neste exato período... 
 

Andre contra o Anticristo


Outro dia o Andre queria construir uma estrela de 6 pontas para construir um objeto de vidro a pedido da Nel. Como a primeira tentativa dele de desenha-la numa cartolina saiu totalmente irregular, ele acabou perguntando pra mim...

Mostrei-lhe como fazer a construção geométrica e comentei que preferia estrelas de 5 pontas... Ele então disse que nunca desenha estrelas de 5 pontas, pois elas são um símbolo do mal. Um símbolo dos russos, muçulmanos... E ele era cristão... Eu defendi a estrela de 5 pontas, dizendo que era um dos objetos matematicamente mais elegantes, citando suas várias relações de simetria...

Como cristão, contou sobre acreditar na Biblia e que nela é dito que no fim dos tempos virá o anti-cristo que dominará todas as pessoas pelo terror. Disse também que havia motivos para acreditar que esse fim estava próximo: terremotos, vulcões, homossexualismo...

Dominar... Será que não percebem que quem está dominando é Cristo? 2000 anos de domínio através dessas idéias bizarras implantadas na mente das pessoas... Que venha o anti-cristo então... Certamente será o fim dos seres humanos de rebanho.

(Eu consegui conter meu riso razoavelmente bem durante a conversa...) 
 

Almoço com Hans


Na quarta-feira da semana passada, o Hans Schaefer esteve em Boxmeer e almoçamos num restaurante na esquina da entrada pro centro de Boxmeer.Ele me passou umas dicas de cidades na Alemanha, mas que provavelmente não terei tempo de visitar, e também me arranjou um possível esquema de visitar a Fokker e a universidade de Leiden.

Como fomos almoçar 1 hora atrasados com relação ao que havíamos planejado, acabei não comparecendo a uma reunião para discutir a STEEL com a Pulse... 
 

Médico


Após todas as providências que já citei e também um final-de-semana totalmente longe do comp, minha mão estava praticamente perfeita (comparando com a outra). Mas terça-feira, quando estava deitado de lado assistindo TV, a sensação voltou... Entao hoje de manha fui no médico.

Ele disse o que a Bia já tinha me dito e me mostrou umas figuras que apresentavam os nervos e os ossos... Perguntei-lhe sobre em qual posição deveria usar o teclado e outros acessórios do comp e ele disse que isso é um grande mistério... mas indicou uma posição que não forçaria o nervo comprimido e disse que eu poderia teclar a vontade... (Antes disso, ele me perguntou se não ensinavam essas coisas nas escolas no Brasil. O que será que ele pensaria se eu contasse que as cadeiras são totalmente não-adequadas e desproporcionais?)

Alterei bastante a disposição das coisas na minha mesa, aumentei a altura da cadeira e arranjei um apoio pros meus pés balançantes e passei toda a tarde digitando... e minha mão melhorou!

Além disso, instalei um programa anti-LER (Break Reminder) no comp e estou usando-o numa das opções mais drásticas: de tempos em tempos ele trava meu comp e me manda ir alongar e exercitar... É incrivel como outras dores e cansaços musculares foram minimizados! Os olhos também não ficam ardendo tanto...

Tudo isso significa que vou voltar a escrever no Blog moderadamente. (Mesmo porque, acho que nao teria tempo de escrever no Brasil...) 
sexta-feira, fevereiro 08, 2002
 

Lesão por Esforço Repetitivo


Uma má notícia pra quem tem acompanhado esse blog. Embora talvez não devesse, vou escrever essa mensagem, que provavelmente será a última, com bastantes detalhes, como tem sido usual. (Talvez seja melhor do que esclarecer os detalhes pra cada pessoa que eventualmente mandasse e-mail perguntando). Que venha a história:

Terça-feira percebi que meus dedos 4 e 5 (contando a partir do polegar) da mão direita estavam “formigando” levemente, um tanto adormecidos. E isso persistiu durante todo o dia.
“Formigamento” em extremidades do meu corpo me fizeram pensar que poderia ser algo relacionado a circulação sanguínea. Exercitei a mão, pra aumentar o fluxo de sangue mas nada ocorreu. Experimentei tornar minha alimentação mais parecida com a que eu tenho no Brasil, mas, além da diarréia, nada mudou.

Até que quinta de manhã, percebi que tenho passado em média 12 horas por dia digitando: de 8:30 a 17:30 no trabalho e depois mais um bom tempo escrevendo no Blog, mandando e-mails, colhendo informações na InterNet...

Isso me fez pensar na possibilidade de LER, Lesão por Esforço Repetitivo, ou RSI (Repetitive Strain Injury) ou Muisarm (“Braço do Mouse”, em Holandês. (Eu uso o mouse com a esquerda)). Entrei no site http://ratoeira.net/symptoms/default.htm e vários sintomas e causas batiam.

Quanto as causas, li que o frio poderia agravar e, como já escrevi neste Blog, já tive que ficar sem luvas por bons tempos a temperaturas realmente baixas... a mão fica vermelha, roxa, azul... sem sensibilidade, formigando e queimando por dentro... Quando nao estou digitando no comp, estou caminhando pelas cidades que visito, o que também é um esforço extremamente repetitivo. Além disso, minha vida pós entrada no ITA se resume a ficar na frente do computador ou sentado em cadeiras desconfortaveis em salas de aula ou laboratorio durante os dias de semana. (Nos finais-de-semana tenho uma vida fisicamente mais decente, lutando Kung-Fu. E nas quartas-feiras a tarde costumava lutar vale-tudo com alguns amigos, antes de torcer o dedao do pé lutando JuDo)

Mandei um e-mail pro meu pai (minha mãe ficaria desnecessariamente preocupada), explicando todos os esses fatos e ele também acha que deve ser algo nesse nível.

Fiz algumas experiências com meu corpo e troquei e-mails com a Beatriz Faria, que é terapeuta de mãos e amiga da minha tia Márcia (Ela já tinha me dito pra não ficar sem luvas no frio...). Então hoje já dá pra ter mais certeza que devo “estar com algum tipo de compressão no nervo ulnar”.

Mas quando se trata de coisas vivas (eu, por exemplo. Eu espero!), raramente dá pra isolar input e output numa experiência pra ter certeza plena, então...

Well, por causa disso, ontem já não escrevi no Blog e voltei pra casa bem cedo, pra ficar longe do computador. Acabei assitindo o filme “Forces of Nature”: tem um final estranho, anti-climax...

Não tem médico na Stork, mas dá pra marcar uma consulta pra semana que vem. Daki duas horas vou pra Hipocondriaca Alemanha (onde há uma farmácia em cada esquina) encontrar o Rudolf e passar o carnaval lá, daí vou ver se dá pra comprar vitaminas...

O que eu sempre achei estranho sobre o meu corpo é que desde sempre eu sempre cansei mais depressa que as outras pessoas quando fazendo algo repetitivo. Sou capaz de passar o dia inteiro praticando esportes sem cansar, mas poucos minutos andando numa velocidade lenta (num shopping ou museu, por exemplo) me cansam bastante... E sempre fui viciado em alongamento.

Perspectivas: Se é pra não escrever com bastantes detalhes no Blog, prefiro não escrever. Vou fazer pequenas anotações no PalmPilot (para auxiliar minha memória) e, quando as coisas melhorarem, escreverei as historias das últimas duas semanas com todos os detalhes que conseguir lembrar. Vou parar de navegar na InterNet estudando HTML, CSS e outras coisas pra melhorar meu site. Vou diminuir minha participação nas dezenas de mailing-lists de discussão que participo. Vou ficar na Stork o mínimo possível e voltar pra casa cedo, assistir mais clipes na “The Box” e na “The Music Factory” ou então filmes e séries na “Net5” ou então alguma coisa na “BBC”...

Como o que eu sinto não é incapacitante nem doloroso, mas apenas uma sensação estranha, o pior é o efeito de privação intelectual sobre alguem que como eu, tem algumas características do que chamam de geração Z. As coisas que agora procurarei fazer com menos intensidade são basicamente as coisas que me conectam ao mundo globalizado.... (Se a tecnologia de interface por pensamento que eu discuti alguns dias atrás fosse desenvolvida, essa conexão poderia ser realizada sem os efeitos nocivos e de forma mais confortável...)

(Quem quiser ser informado quando eu postar todas as histórias das próximas duas semanas, mande um e-mail para ceilican@terra.com.br ou entao fique atento as possiveis atualizacoes...) 
terça-feira, fevereiro 05, 2002
 

Imortalidade


Domingo a noite assisti pela metade um programa bastante legal na BBC sobre as causas do envelhecimento. A coisa mais interessante (e nova para mim) que eu me lembro agora foi um anti-oxidante capaz de dobrar a expectativa de vida dos animais de laboratório...

A BBC disponibiliza um site interessante para acompanhar e complemntar o programa na TV: http://www.bbc.co.uk/history/genes/

No site tem, entre outras coisas, um formulário que calcula a expectativa de vida e um fórum de discussão sobre o tema “Voce viveria para sempre se pudesse? Apoia o uso da biotecnologia para estender a vida humana?”.

O que me surpreendeu foi ver um monte de postagens de pessoas dizendo que não gostariam de viver para sempre e os argumentos quase sempre eram:
* É contra a ordem da natureza.
* Não gostaria de ver todos os meus conhecidos morrendo...
* Existe vida após a morte e a morte é a recompensa que Deus dá quando as pessoas atingem o objetivo de suas vidas.
* É contra vontade de Deus permanecer imortal.

Análises:
* Voce não tem como saber se existe vida após a morte.... Nem se existe alguma espécie de Deus... (Mind the Gap)
* Pra que Deus te daria vida se ele não quisesse que você lute por ela?
* E se o seu “objetivo de vida” for desenvolver a biotecnologia necessária para a imortalidade e desfrutar dela?
* Seus conhecidos também poderiam, a princípio, aumentar suas expectativas de vida.
* Só há uma coisa sobre a natureza: o que é vivo luta pela própria vida. Tigres usam suas garras e dentes para isso; hominídeos usam biotecnologia...

Enfim, viverei o máximo que puder, usando todos meus recursos físicos, mentais, tecnológicos, espirituais, financeiros, sociais... 
 

Fobia Social


Ontem recebi por e-mail um site com teste de fobia social. Acabei fazendo dois testes. Um deles apontou “leve sintomas de fobia social” e outro disse que sou “normal”... 
segunda-feira, fevereiro 04, 2002
 

Hoek van Holland


Cheguei meio em cima da hora na estação de Londres e ela é bem mais confusa e pobre em informações que as dos países do continente. Os murais de informação não mostravam as plataformas de partida... Acabei descobrindo que o meu trem pra Harwich era na verdade um onibus, que partia da estação. O Onibus tinha direção do lado direito, assim como a maioria dos carros que eu vi em londres. (Por toda a cidade, os pedestres são instruidos sobre pra qual lado olhar quando estão atravessando a rua, em qual lado ficar nos corredores subterraneos. É realmente estranho. A influencia que o "lado de direção" exerce sobre a memoria funcional humana é bem maior do que eu imaginava)

O onibus chegou meio em cima da hora no porto e eu fui a ultima pessoa a embarcar no navio. O mar estava tranquilo, as ondas tinham em média apenas 2,5m de altura e o navio quase não chacoalhava (fico então tentando imaginar a altura durante a ida pra Londres...). Assisti ao filme "Serendipity", uma comédia romântica padrão, cheia de coincidencias, destinos e coisas assim...

Cheguei em Hoek van Holland 15:30 e fiquei por lá até 17:30. Fui na praia, que era bem parecida com as de algumas regiões do Brasil, excetuando o fato das pessoas estarem todas com várias camadas de casacos. O vento era tão forte, que várias pessoas empinavam pipas de alta tecnologia, tendo muitas vezes que deitar no chão para não serem arrastadas. E eu vi um kara andando de "carro-a-vela" ou "windcar" (seilá que nome dar para aquilo): ele e o carro eram puxados pela pipa.

Hoek van Holland fica na região dos diques de contenção do mar. De fato, eu andei varios quilometros por cima dos diques e vi alguns murais explicando, em holandes, a construcao. Mas a coisa mais estranha que eu vi foi um pouco mais pro interior, quando estava indo de trem na sexta-feira: uma estrada passando do lado, abaixo do nível de um lago; também acho que o trem chegou a andar do lado e abaixo do mar, mas não deu pra ter certeza, pois o morro artificial não me permitia ver em que nível estava a água. Tambem vi um computador mostrando a movimentacao dos navios na regiao, como captada pelos radares.

Ao todo, a minha viagem de 3 dias pra Londres custou tudo que consigo ganhar em 1 mês no Brasil... É um lugar bastante caro para se ir, mas muito legal. 
 

Londres


Por causa do mau tempo, o navio desenvolveu uma velocidade de apenas 55km/h. Isso me fez chegar mais tarde do que eu esperava em Londres (Pouco depois de 22:00 no albergue), então, ao invés de sair pra cidade já na primeira noite como havia planejado, decidi ficar no albergue e planejar com mais detalhes o dia seguinte.

Mind the gap...

Acordei 7:00 e 8:00 estava saindo do albergue. Dei uma passada na Saint Paul's Cathedral, que é do lado do albergue e depois fui de metro pra Tower Bridge e pra Tower of London, que estava em reforma. Comprei um ticket válido por um dia. Passei pelo Big Ben e pela Westminster Abbey, uma igreja comparável a de Kolonia, mas mais moderna, com mais detalhes e mais iluminada. Muitas pessoas "importantes" enterradas em tudo quanto é canto dessa igreja.

Meu próximo destino foi o palácio de Buckingham. Fui a pé, atravessando o parque de Saint James (na minha opinião, o mais interessante dos três que circundam o palácio), onde passei a mão num esquilo que veio pedir comida, o que evidentemente eu não tinha. Cheguei no palácio 11:00, horário da cerimônia. Inicialmente, não estava nos meus planos vê-la, mas como eu já estava ali e estava cheio de turistas por lá, acabei vendo um pedaço (fui embora no meio, pois meu tempo era precioso). Pelo que eu entendi e pelas informações que havia visto na InterNet, não houve a troca da guarda, apenas um outro tipo qualquer de inutil teatro militar. Uma possivel coincidencia estranha: Li num mural por ali, que naquele dia a banda era de Nijmegen ou alguma coisa assim...

Peguei metro até o Museu de Cera de Madame Tussaud, mas estava uma fila enorme, então peguei metro de volta radicalmente pro sul da cidade e entrei no Museu de História Natural, que é muito legal e estava com entrada livre. Boa parte das informações disponibilizadas, eu já conhecia, já havia aprendido na escola, mas algumas coisas foram bastante inéditas ou surpreendentes pra mim: participei de uma simulação de terremoto (balançou bem menos que o navio...); vi pedras naturalmente fluorescentes!; Vi cristais que são opacos a luz visível, mas transparentes a infra-vermelho; e outras coisas (muitos animais, extintos e não extintos; Informações sobre o corpo humano)...

Fiquei lá um bom tempo e depois voltei pro museu de cera, que como planejado, estava sem fila... (Eu adoro esse poder de alterar o cenário do Universo!!!...) A entrada foi bem cara: 15 pounds, valendo tambem para o planetario. Quando perguntei pelo caminho que eu deveria seguir, me fizeram entrar no planetário e eu perdi 20min assistindo uma apresentação entediante e cientificamente incorreta. Se pelo menos eles tivessem acochambrado a ciência pra fazer algo divertido (como nos filmes de ficçao), mas não... e ainda passam a informação como se estivesse de acordo com os modelos cosmológicos e astrofísicos atuais. Alguns dos erros: propagação de som no espaço (dá pra acreditar?), ausência de distorção na aparência do disco de acresção de um buraco negro devido a curvatura do espaço-tempo, wormholes representados como superfícies bidimensionais (É impossível representar wormholes numa tela... E isso ainda foi feito de uma forma artisticamente bem chata)...

O Museu de cera é bem interessante, com bonecos de pessoas famosas espalhados em tudo quanto é canto. Por alguns instantes, nem dá pra saber quem é real e quem não é. Eu, por exemplo, dei um salto pra escapar do campo de visão de uma pessoa que estava tirando foto e, quando percebi, a pessoa era um boneco! Os turistas geralmente tiram foto com algum famoso por lá, mas eu nem tive vontade de tirar com ninguém. Só tirei uma foto geral de um dos salões. Quando passei na frente do Ayrton Senna, ouvi uns brasileiros comentando que ele não estava parecido com o real.

Em algum momento do dia, eu voltei pro albergue pra pegar o filme extra, pois o que estava na máquina estava a ponto de acabar... Mas acabei nem usando.

Mind the gap...

A noite, passeei por Piccadily Circus, SoHo, Trafalgar Square, Leicester Square, China Town e toda aquela região de restaurantes e bares. É incrivel: Londres, ao contrario de todas as outras cidades que eu andei visitando, não dorme quando a noite (17:00) chega. Choveu um pouco durante a noite.

Em Piccadily Circus, havia artistas de rua: Um cara tocando um instrumento escoces; um grupo fazendo malabarismo com fogo ao som de tambores (era um malabarismo diferente, com três bastões, do qual o Rudolf já havia me falado, mas que eu nunca havia visto)...

Em ChinaTown, a comida é realmente barata. Mas nem comi, afinal tenho comida a vontade e de graça em Boxmeer e é uma surpresa diferente a cada noite. Por essas regioes, vi um restaurante Vegan, vegetarianismo radical... Há bastante poluição visual também, o que lembra a América, o novo mundo...

Enfim, por volta de 22:30 eu estava de volta ao albergue. Apos tomar banho, ajeitar as coisas pro dia seguinte e conversar um pouco com duas meninas da nova zelândia, fui enfim dormir... (totalizando 14,5 horas de caminhada sem interrupção! Acho que bati meu recorde! Mas o primeiro dia em Amsterdam foi o mais cansativo, pois meu corpo ainda não estava acostumado às jornadas)

Mind the gap... I will always mind the gap! Londres tem metro e eu adoro metros! E o metro de londres tem essa frase muito interessante: "Mind the Gap". Em boa parte das estações, os auto-falantes gritam essa frase, pra fazer as pessoas tomarem cuidado com o vão entre a plataforma e o trem. Mas o que é interessante é que é possivel pensar em incontáveis interpretações para essa frase e muitas delas sao perfeitamente adequadas a filosofia "sub-nihilista" (Não vou escrever nenhuma aki, para não atrapalhar o processo criativo de eventuais leitores). O Metro também é bastante quente, o me fazia ter que tirar e por o gorro toda hora... E é mais confuso que o de Berlim. 
 

Rotterdam


No último final de semana fui pra Londres. Mas como pegaria o navio só 16:00, decidi passear um pouco por Rotterdam, que fica no meio do caminho entre Boxmeer e Hoek van Holland (onde fica o porto).

Peguei o trem bem de manhã, o que não adiantou nada, pois um dos trens quebrou no meio do caminho e eu tive que ficar um bom tempo na estação esperando outro.

Rotterdam é ultra-moderna, com vários arranha-céus, fora do padrão europeu. Mas fora essa quebra do padrão, não tem muito o que ver (ou talvez tenha e eu que nao fiquei tempo suficiente na cidade).

Comprei inutilmente um mapa de Rotterdam, na central de informacoes turisticas. Inutilmente pois ventava tanto que era impossivel utiliza-lo. Acho que nunca vi tanto vento! Era até dificil de andar...

Em Hoek van Holland, logo embarquei no navio, após passar por detectores de metais e olharem meu passaporte, como num aeroporto. O navio, da StenaLines, é ultra-rápido, podendo atingir 70km/h. Ele tem um vão embaixo, de tal forma que só as bordas laterais encostam na água: ele praticamente voa sobre as águas. Dentro há McDonald's, Restaurantes, Bares, 2 cinemas, cassino e loja.

Em Boxmeer, quando comprei passagem pra Hoek van Holland na quinta-feira, comprei também uma revista para ler nos trens: National Geographic. Era a única opção sem ser em Holandês e falava sobre lobos, sobre a união européia, entre outras coisas... O problema (ou vantagem) dela é que ela é meio enrolada pra passar informação. Prefiro informação mais direta.

Quando tudo o que havia pra ver era apenas mar, comecei a ler a revista. Entretido, ignorei o balanço do navio e meia-hora depois, meus orgaos internos pareciam funcionar completamente fora de sintonia e o suco de banana com laranja, o chocolate e as castanhas de caju que eu havia comido queriam ser vomitados... Andei um pouco pelo navio: balançava tanto que dava pra pular vários metros ou vários degraus das escadas com facilidade. Fiquei me divertindo dessa forma por um bom tempo. Depois sentei no centro do navio, tentando visualizar um horizonte fixo (impossivel pois já estava escuro). Na televisão proxima de mim, a CNN mostrou uma imagem de satélite: Havia uma imensa mancha branca de tempestades bem sobre a Holanda e a Inglaterra... Como as ondas vinham na diagonal, o navio balançava circularmente e de forma pouco previsível, o que certamente é o pior tipo de balanço (do ponto de vista de "sea-sickness"). Quando as noticias na CNN já tinham se repetido umas duas ou tres vezes, dormi sobre com a cabeça na minha mochila sobre a mesa. Acordei algum tempo depois bem melhor, mas com as pernas totalmente adormecidas e o pescoço doendo por causa da posição. Fiquei num local bem legal pra ver o atracamento do navio no porto de Harwich. De alguma forma que eu não consegui entender como, o navio "levanta" após atracado, até chegar na altura dos túneis por onde os passageiros saem e andam até o hall do porto. 
quinta-feira, janeiro 31, 2002
 

O Casamento do Príncipe


No próximo sábado, ocorrerá o casamento do futuro Rei da Holanda em Amsterdam, com uma argentina chamada Máxima. Notícias podem ser vistas por todos os lados (por exemplo: os papéis nas mesas do refeitório da Stork estão “enfeitados” com os nomes dos dois e com a data do casamento; no jornal alemão que eu li, faziam-se comparações entre Máxima e Diana...).

O interessante é que o parlamento precisa aprovar o casamento do futuro Rei! Caso o parlamento não aprovasse, o príncipe teria que renunciar ao trono se quisesse casar... (ele também poderia viver com ela escondido). E pelo que me contaram, isso gerou um pouco de polêmica, pois o pai da Máxima esteve envolvido com o regime militar na Argentina, cometendo atos com os quais a Holanda não gostaria de se associar.

Pelo jeito a festa deve ser grande e me disseram que deve ser possivel assistir do Brasil pela televisão. Como estarei em Londres no dia, terei que procurar assistir depois... 
quarta-feira, janeiro 30, 2002
 

Diversidade de Comida


Tenho experimentado diversas comidas diferentes durante a janta. A diversidade é tão grande que me lembro de muitas poucas vezes em que comi algo repetido, apesar de já estar aki a 2 meses. Essa diversidade têm uma origem trágica. Há três anos, Jan Vermeulen sofreu um acidente de carro que traumatizou seu pescoço de tal forma que se ele fizer coisas que exigem esforço, ele acaba tendo "terrible headaches" durante a noite. Por causa disso, ele começou a se dedicar a culinária.

A comida aki tem um "gosto de frio". Logo que cheguei, estranhei. Mas a medida que me acostumei com o frio, a comida começou a "fazer mais sentido" (se é que tem sentido falar algo assim).

Me acostumei a comer batatas, embora elas nao tenham muito gosto de nada. (Outro dia, acho que comi umas 5!)

O pessoal por aki vai comprar comida na Alemanha, que é mais barato (metade do preço, para alguns produtos). Uma coisa que compraram ontem, que eu acho que não existe no Brasil, é Arroz já misturado com outros ingredientes na embalagem... Aqui tambem existem caixas enormes de 1kg de cereal (Corn Flakes...).
 
 

Uma Escolha Complicada


Acabei de tomar uma decisão: vou pra Londres de navio, definitivamente. Agora só me resta esperar que tenha feito uma escolha legal...

Fui numa agência de turismo aki de Boxmeer, indicada pelo Andre (que foi pra Londres há algumas semanas), e me apresentaram duas opcoes:
*Avião (E$125,00, ida e volta, saindo de Amsterdam)
*Navio (E$76,00, ida e volta)

De Aviao, eu teria mais tempo em Londres, pois os horarios de navio no inverno sao muito ruins... Mas eu quero conhecer o navio, que é diferente do comum. Na verdade, o que eu queria era ir de avião e voltar de navio, associando assim a maior velocidade do avião com a possibilidade de conhecer um método de transporte diferente, mas me disseram que a viagem ficaria bem mais cara, pois existem descontos para "Return-Tickets".

Enquanto estiver em Londres, a diferença de horário com o Brasil será de apenas 2 horas. 
 

A Barba


Ontem a noite fiz a barba. Minha intenção inicial era tê-la feito na primeira ou segunda semana de janeiro, mas fui prorrogando, por causa da ausência de água quente em casa. Mas nos últimos dias, ela já estava começando a dar nó, então... 
segunda-feira, janeiro 28, 2002
 

Luxemburgo


Incrivelmente, apesar de ser domingo, as centrais de turismo de Luxemburgo estavam abertas e consegui um mapa muito bom da cidade. E em alguns lugares, havia terminais com monitores sensiveis ao toque e placa de som com informacoes turisticas! Isso torna Luxemburgo a cidade turisticamente mais High-Tech que eu já visitei...

Luxemburgo tem 1000 anos de idade e tambem tem um estilo arquitetonico bem diferente. Existe um grande vale (canyon?) no meio da cidade e enormes e diversas pontes conectando os dois lados. No vale corre um rio, que eu acho que é o mesmo que passa em Trier. A cidade é bastante montanhosa, tendo varios niveis, conectados por rampas ou escadas, e é cheia de bosques mesmo perto do centro (provavelmente preservados por causa da montanhosidade). De vários pontos dá para se ter vistas impressionantes da cidade, do vale, do rio, das pontes...

Nao parou de chover um instante (Chuva fina, como sempre, mas frequentemente densa), mas estava calor (Nao tive oportunidade de saber a temperatura por lá, mas em Liege, na Belgica, estava 14 graus!!!). Acho que eu nunca fiquei tanto tempo direto em baixo de chuva. É muito bom. O problema não é a chuva em si, mas a falta de adaptacao da sociedade a ela... E estranho como nao nenhuma tecnologia para lidar com chuvas alem de primitivos guarda-chuvas e capas.

Luxemburgo é uma das capitais da União Européia (juntamente com Bruxelas e outra cidade que nao entendi o nome), tendo sido o local de nascimento do principal idealizador da união, pelo que eu entendi... Existe toda uma região onde estão localizados os prédios da UE (Justiça, Parlamento, Banco Europeu...). Visitei-a, mas são prédios modernos apenas.

Decidi pegar o trem pra Liege e Maastricht 15:15 e assim observar o interior do pais de Luxemburgo de dentro do trem, mas nesse ponto minha estrategia falhou (e foi a unica falha em todo o final-de-semana). Em vez de seguir o caminho reto, mais curto e mais lógico, até Liege, passando por todo o pais Luxemburgo, o trem fez uma curva e foi pela Belgica...

Durante essa viagem de volta, fiquei pensando, entre outras coisas, numa tecnologia futura que sempre me fascinou: fazer os computadores entenderem pensamentos humanos e emitirem informacao diretamente ao cerebro humano. E fiquei mais fascinado ainda. Uma sociedade com essa tecnologia, que nao parece estar tão distante, seria radicalmente diferente do que há hoje. Associando-a a telecomunicacoes, telepatia e, consequentemente, niveis inimaginaveis de interacao interpessoal podem ser criados. Associando-a a InterNet, qualquer pessoa teria acesso a terabytes de informações a qualquer instante (e o meu mapa não molharia na chuva)....

Cheguei em Boxmeer 21:00... 
 

Trier


No final-de-semana passado, conheci duas cidades muito interessantes: Trier e Luxemburgo. A primeira foi sugestao do Rudolf e a segunda já estava nos meus planos iniciais desde que eu parti do Brasil.

No sábado, parti logo cedo para Trier. Foram 5 horas de viagem, com paisagens interessantes e diferentes no trecho a partir de Kolonia. Logo que peguei o primeiro trem, percebi que havia esquecido de pegar toalha pra tomar banho...

Tive que esperar 40 min em Kolonia. Como a catedral gótica é em frente à estacao, aproveitei para visitá-la novamente. Mesmo pela segunda vez, ela continua sendo impressionante! Mesmo com vários detalhes góticos, ela dá a impressão de ser extremamente sólida e robusta. Associando isso ao fato de ser bastante escura, parece que ela brotou do chão, e não que foi construida por seres humanos. Internamente, mesmo com luzes elétricas acesas, ela também é escura (fico imaginando como seria entao na epoca em que ela foi construida, em que nao havia luz eletrica).

Num dos trens, fiquei lendo, mesmo sem entender muita coisa, um jornal em alemão que estava abandonando na minha cabine. Era um jornal que claramente se concetrava mais em boatos do que fatos...

Trier é a cidade mais antiga da Alemanha, existente desde bem antes do Império Romano. Segundo o mapa que eu peguei no centro de turismo, Trier foi a primeira região ao norte dos alpes que pôde ser chamada justificadamente de “cidade”. Durante o império romano, ela era conhecida como “Roma Segunda”, e outros nomes relacionados, devido a sua importancia... Veem-se ruinas romanas em varios pontos da cidade...

O estilo arquitetonico da cidade como um todo e diferente do de qualquer outro lugar em que já estive... Uma das igrejas, por exemplo, tem varios andares e desniveis; Outra, apesar de ser gótica, tem partes amarelas.

A populacao da cidade é de “apenas” 100 000 habitantes. (Mas mesmo assim a cidade deve ter mais de 20 salas de cinema)

Gostei tanto da cidade que decidi mudar meus planos: ao invés de viajar pra Luxemburgo a noite, decidi dormir no albergue de Trier, que fica na beira do rio e perto da estacao e do centro, e viajar de manha para Luxemburgo.

O dormitorio, que geralmente tem de 8 a 12 camas e é a opcao mais barata, no albergue de Trier só tinha duas camas e eles ainda forneciam duas toalhas(Uma para cada um)! (Perfeito! O unico albergue que eu encontrei, até hoje, que fornece toalha, bem no dia que eu esqueci a minha!).

Após tomar banho, vi propaganda dos cinemas da cidade e decidi assistir alguma coisa: “Ocean’s Eleven” ou “Vanilla Sky”. Os horarios me pouparam do trabalho de escolher e acabei entrando no “Vanilla Sky”. Paguei o triplo do que eu pagaria no Brasil com desconto de estudante (Ou seja, metade do preço de Kopenhagen).

Antes do filme em si:
- A sala do cinema tinha um tamanho comparavel com as de Piracicaba;
- A altura da cadeira era perfeita pro meu tamanho! (Isso é um paradoxo: Por que no Brasil, onde o povo é pequeno, as cadeiras são tão altas que os pés ficam balancando, enquanto que na Alemanha, onde as pessoas são altas, as cadeiras são baixas?)
- Foram 17min de propaganda (mas bem legais e criativas), antes de comecarem os trailers...

Os trailers estavam todos em Alemão e aí eu comecei a desconfiar... Pra mim era tão óbvio que o filme seria em Inglês com legenda em alemão... Mas eu mantive as esperanças. (Na verdade, esperanca nao é algo que se aplica perfeitamente ao meu modo de pensar).

O filme começou e eu ansioso pela primeira fala, que foi “Abra los olhos” (algo parecido com isso em espanhol), aumentando a expectativa para a próxima frase, que veio alguns segundos depois: “Mach die Augen auf”...

É tao comico quando o obvio nao corresponde ao real... O filme era definitivamente em Alemão. O curioso é que eu pedi informações sobre o cinema e comprei ingresso conversando em Inglês com 3 pessoas e ninguém se preocupou em avisar que o filme era dublado.

Como nao havia nada pra eu fazer fora dali mesmo, decidi experimentar assistir a um filme numa lingua estranha e analisar o quanto de informacao eu conseguiria captar apenas com as imagens e com o pouco que sei de Alemão (dava pra entender algumas frases, algumas palavras isoladas...). Pelo que eu havia visto nos trailers no cinema de kopenhagen, o filme parecia ser uma história de amor “leve”, mas, para piorar a minha situação ou tornar mais complexa a minha experiência, o filme me surpreendeu, mostrando-se com vários niveis de narração não-linear.

Meu desafio foi, então, montar as várias peças do quebra-cabeça sem ter a minha disposicao a linguagem. Caso eu tenha sido bem-sucedido, o filme é sensacional e certamente entrará para a minha “Lista de Filmes Loukos”. Mas também pode ser que eu tenha falhado, que eu tenha vislumbrado uma história completamente diferente e que a historia verdadeira seja uma porcaria... De qualquer forma, o resultado do meu experimento vai ser legal. (Eu realmente acho que consegui montar o quebra-cabeça corretamente, mas vou ter que esperar a volta ao Brasil pra ter certeza). 
sexta-feira, janeiro 25, 2002
 

Mais sobre o Euro


Como ja havia dito, cada pais produzira suas proprias moedas de Euro. Em uma das faces (a que contem o valor), as moedas sao iguais para todos os paises, mas na outra cada pais poe a figura que desejar.

Com o tempo, as moedas acabam indo parar em outros paises (Ja recebi de troco um euro da Italia aqui na Holanda...) e os paises menores, como a Holanda, tenderão a ficar sem suas proprias moedas em seu territorio. Ouvi boatos que os bancos da Europa fariam cada euro voltar pro seu pais de origem. Mas isso e meio estranho... Tanto esforco de separacao e transporte para nada... 
 

Boxmeer





Mapas de Boxmeer, com indicacao da casa, da Stork e do centro da cidade... Boxmeer fica quase na fronteira com a Alemanha, uma regiao bem menos povoada que o Oeste. 
 

Kingdom of the Netherlands




O Reino das Netherlands possui 12 provincias, sendo que 2 delas se chamam Noord-Holland e Zuid-Holland, dai o fato desse pais ser chamado Holanda no Brasil...

A Capital e Amsterdam, mas o governo, que e uma monarquia constitucional, esta localizado em Haia. E muito confuso o funcionamento da monarquia constitucional daki...

Nas 12 provincias se distribuem 16 milhoes de seres humanos, cujas religioes sao: Catholic 31%, Protestant 21%, Muslim 4.4%, Other 3.6%, Unaffiliated 40%...

Para mais informacoes geograficas da Holanda e de qualquer outro pais do mundo, existe o site: The World FactBook 
quinta-feira, janeiro 24, 2002
 

Brasil na Televisao


Ontem assisti parte de um programa sobre o Futebol Brasileiro na TV, com varios brasileiros falando (Ronaldinho, Pele, Zagallo...). Interessante assistir a um programa falado em portugues com legenda em holandes... A Holanda esta fora da proxima copa. 
 

A Nova Maquina de Bebidas


Por causa da entrada do Euro, as antigas maquinas de bebida (Cafe, Agua, Leite com Chocolate... e tambem sopa!) da Stork foram substituidas por outras muito mais modernas e interativas. O bom e que agora todas as bebidas sao gratuitas (Antes so Agua...), assim posso tomar leite com chocolate e evitar gastar dinheiro desnecessariamente comprando liquidos na hora do almoco. De fato, consegui reduzir meu custo com alimentacao a praticamente zero, sem prejudicar minha nutricao: trago um sanduiche de casa e bebo chocolate de vez em quando ao longo do dia. So compro comida nos finais-de-semana, quando nao estou em Boxmeer. 
 

Outro Brasileiro em Boxmeer?


Hoje fui pegar um copo de agua na nova maquina de bebidas e encontrei com o kara que me levou abrir a conta no banco logo na minha primeira semana aki. Ele me disse que existe outro brasileiro morando em Boxmeer... Disse que semana que vem, me arranjara o e-mail ou endereco dele. 
 

Moedas Japonesas


Um dos karas que trabalha aki na minha sala foi pro Japao, encontrar clientes da Stork. Ele voltou hoje e assim consegui 4 tipos diferentes de moedas japonesas que eu nao tinha na minha colecao... 
terça-feira, janeiro 22, 2002
 

Carnaval


O Carnaval na Holanda ocorrera nos dias 9, 10, 11, 12 e 13 de fevereiro. A principio, o trabalho na Stork ocorrera normalmente, sem feriados... 
 

A Ilha


Tenho tentado descobrir a melhor forma de chegar a Londres... E dificil, tendo apenas finais-de-semana disponiveis...

Como opcoes existem:
* Trem, passando pelo Tunel. Tempo de viagem: entre 7 e 9 horas, pelo que eu me lembre. (Mas e um trem especial, que parece precisar de reserva e o EURail nao deve cobrir).
* Aviao, saindo do aeroporto de bruxelas. (O Rudolf me passou o endereco do Site de uma companhia barata que ele descobriu. Custo: por volta de 60 Euros, ida e volta) Tempo de viagem: Estimativa total de 5 a 7 horas (3 horas de trem, 1 hora de voo e mais o tempo para fazer Check-In, conseguir chegar ate o aeroporto...).
* Navio, atravessando o mar entre Hoek van Holland e Harwick. Tempo de viagem: Estimativa total de 7 a 9 horas (Considerando tambem os trens). So existe 1 horario por dia durante o inverno.

A Ilha e realmente uma ilha. 
 

Tenis Vermelho contra Bota Azul


Como nao esta mais tao frio, decidi viajar com o tenis vermelho no ultimo final de semana, ao inves de usar a bota impermeavel. Fiz isso para poder comparar os dois. Resultado:
* No fim do dia, as extremidades dos ossos do pe en contato com os dedos, doiam muito mais.
* Nao houve muita diferenca quanto ao aquecimento. (mas estava calor, sem neve e sem gelo)
* O tenis molhou mais na chuva.
* Hoje de manha, meu dedao direito, o qual machuquei lutando JuDo ha 4 meses, estava doendo bastante. (A Bota tem um mecanismo que facilita a caminhada, nao exigindo que os dedos dobrem muito) 
segunda-feira, janeiro 21, 2002
 

Clima


Esquentou bastante nos ultimos 3 dias. A temperatura ficou entre 7 e 9 graus... 
 

A Destruicao de Roterdam


Estava conversando com o Jan Vermeulen sobre possiveis destinos para as minhas viagens de fim-de-semana e quando falei sobre terem me contado que Roterdam era uma cidade moderna pois fora toda destruida durante a guerra, ele me disse que estava la na epoca, que viu os alemaes fuzilando as pessoas e que ele e outros sobreviventes tinham que procurar vegetais congelados debaixo do gelo e da neve para comer... 
 

Stork Fechada


Para entrar na Stork, eu tenho que aproximar um cartao de uma barra ao lado da porta, mas como a sensibilidade do sensor e alta, eu nem preciso tirar o cartao da mochila. Fica parecendo magia... A porta abre para as pessoas certas...

Well, eu achava que essa magia funcionaria a qualquer momento, mas na ultima sexta-feira... Como falei pro Jan e pra Nell que eu gosto de peixe, eles falaram que comprariam um peixe ja pronto para o jantar. Mas como a loja fecharia 17:00, eu precisaria voltar mais cedo da Stork. Voltei entao 17:30, com intencao de retornar a Stork mais tarde, para terminar o que eu tinha que fazer na InterNet (como, por exemplo, imprimir os horarios de trem).

19:00 cheguei a porta da Stork e ela nao abriu... e nao havia mais ninguem em nenhuma das portarias... 
 

Maastricht e Valkenburg


No Domingo, peguei o trem logo cedo (7:56), pois pretendia visitar duas cidades num unico dia: Maastricht e Valkenburg, cidades proximas no Sul da Holanda.

Cheguei em Maastricht pouco antes de 10:00 e a cidade estava deserta (afinal, era cedo num domingo de inverno). O centro de informacoes turisticas estava fechado, entao visitei a cidade sem mapa, sem problemas...

A cidade tem um estilo interessante. Por ser Holanda, tinha algumas coisas parecidas com Boxmeer. Tinha uma muralha, circundada por canais, na qual era permitido andar (em Nuremberg, nao dava pra subir na Muralha). E os canais tinham correnteza em alguns pontos. Primeira cidade em que eu vejo rios com correnteza por aki!

Tirei uma foto junto com umas estatuas sentadas no banco da cidade. So tinha praticamente eu e as estatuas na cidade... Maastricht comecou a acordar por volta de 12:00, quando eu peguei o trem pra vila vizinha Valkenburg.

Valkenburg tem ruinas do unico castelo que foi construido em montanha na Holanda (tambem, deve ser a unica montanha em todo o pais e so tem uns 20m de altura...). Tambem tem umas cavernas, catacumbas romanas... Mas acabei nao entrando em nada, pois cheguei nos lugares depois do fechamento dos portoes (os lugares, estranhamente, tinham horarios definidos para deixar as pessoas entrarem).

Voltei para Maastricht 15:30 e ela ja estava bem mais acordada, com varios Pubs tocando umas musicas diferentes...

Acabei pegando o trem de volta pra Boxmeer ainda de dia, pois nao havia nada mais pra ver em Maastricht. Pegar trem de dia, durante o inverno, e um fracasso de planejamento, um erro de estrategia, pois as preciosas horas de Sol estao sendo desperdicadas... (a nao ser que a intencao seja observar a paisagem). 
 

Bruxelas (Continuacao)


No museu, vi varios instrumentos diferentes e estranhos. Alguns tem sons muito legais e eu nao entendo o porque de serem desprezados por bandas modernas.

Quando sai do museu, percebi que eu estava sem mapa da cidade. Mas isso nao foi um problema, pois as informacoes em Bruxelas estao disponibilizadas de uma maneira muito eficiente (Acho que e mais facil andar sem mapa do que com mapa por la). De qualquer forma, acabei passando na central de turismo e pegando um mapa para mim (ja estou cheio de mapas, de tudo quanto e cidade).

A Belgica e um pais bilingue: holandes e falado no norte e frances no sul. Como Bruxelas esta no centro, as duas linguas sao faladas na mesma cidade! Todas as placas sao escritas nas duas linguas e as igrejas tem dias de missa em holandes e em frances...

Bruxelas, assim como Antuerpia, tambem tinha mercados nas ruas. Quando comentei com a Nell Vermeulen que eu tinha visto varios mercados enormes em Antuerpia, ele me contou que mercados de rua sao proibidos na Holanda. Aki tambem e proibido construir uma casa fora dos padroes arquitetonicos do bairro, sair com cachorro sem coleira e varias outras coisas... A vida e extremamente regulamentada por aki...

A Estacao Central de Bruxelas foi a primeira que eu vi que e subterranea. Todos as plataformas sao subterraneas. 
sábado, janeiro 19, 2002
 

Bruxelas


Estou blogando diretamente do albergue de Bruxelas, que possui InterNet gratis.

No final da minha viagem de trem de Boxmeer para Bruxelas (mesmo trem que vai Antuerpia), notei uma pessoa num banco proximo de mim falando em Ingles para uma mulher que era do Brasil. Ouvi-os falando tambem que iriam descer na estacao central de Bruxelas, que era a que eu pretendia descer. Entao descidi simplesmente segui-los, mas eles erraram a estacao, entao tivemos que pegar um trem de volta. Ate ai, ja tinha estabelecido contato com eles. O Brasileiro, Roberto Mascia, era de Minas Gerais e esta ficando 3 semanas na Holanda para verificar um equipamento de mineracao.

Eu e ele visitamos Bruxelas juntos. Passamos em praticamente todos os predios e monumentos. Quando era um pouco antes de 16:30 ja tinhamos acabado nossa rota. Essa foi a primeira cidade em que, viajando junto com outra pessoa, eu nao fiquei com os mapas, embora sempre olhasse junto. E Bruxelas tem indicacoes turisticas tao eficientes, que nem e totalmente necessario o uso de mapas.

O ambiente de bruxelas e parecido com o de Antuerpia, mas menos organizado... Fez realmente muito calor, 8 graus (ha muito tempo, acho que desde o Brasil, eu nao via uma temperatura tao alta num termometro), mas as vezes ventava, entao... Tambem houve chuva fina, chuva forte e chuva de granizo; mas eram bem rapidas e em 5min ja dava pra sair dos esconderijos e voltar a visitar a cidade.

16:30, entrei sozinho num Museu de Instrumentos Musicais! (O brasileiro foi para o centro, pois em breve voltaria pra Holanda). Muito legal o museu. Tudo quanto e tipo de instrumento (mas nao me lembro de ter visto berimbau...) e os visitantes recebem um fone de ouvido para ouvirem o som dos instrumentos a medida que se aproximam dele...

Vou parar por aki, por enquanto, pois tem gente esperando pra usar a InterNet e minhas pernas ja estao doendo de ficar em pe (A InterNet e de graca, mas sao terminais sem cadeiras...). 
quinta-feira, janeiro 17, 2002
 

WebDesign


Agora que ja tenho um relatorio da iniciacao cientifica razoavelmente pronto, ja cansei de ver a maioria dos clipes da TMF e da The Box e ja nao preciso mais de tanto tempo para organizar as minhas viagens de final-de-semana, tenho usado meu tempo livre depois do trabalho para aprimorar meu conhecimento de HTML e coisas relacionadas.

Antes eu achava que saber HTML demais so tornava os sites mais pesados e que o que importava era a informacao. Well, eu ainda acho que o mais importante e a informacao, mas percebi que, usando alguns recursos de HTML, posso tornar a navegacao atraves do meu website mais eficiente e elegante.

Enfim, ate 22 de fevereiro (quando volto para o Brasil), pretendo ter construido uma versao totalmente reformulada para esse Blog e tambem para o meu Site. 
quarta-feira, janeiro 16, 2002
 

Roupas


Para o trabalho eu tenho ido vestido da seguinte forma:
* Uma camiseta branca, de manga comprida ou curta.
* Uma camisa de manga comprida... (Eu odeio camisas, mas...)
* Uma blusa de la ou um pullover... (...como eu uso uma blusa por cima da camisa, acaba nao ficando tao horrivel usa-la)
* Uma calca de um tecido que eu nao lembro o nome. (Tambem odeio calcas que nao sao de moleton. Elas restringem minha flexibilidade! Mas como eu so tenho que ficar sentado usando computadores, nao preciso de flexibilidade...)
* Minhocao. (Eu o usava no comeco. Agora ja me acostumei com o frio...)
* Sapato marrom emprestado do meu avo. (Tambem odeio sapatos, mas o do meu avo e melhor que a maioria. Teve um dia que no meio do caminho pra Stork, eu comecei a pensar “Como essa caminhada esta confortavel hoje...” e, quando vi, eu tinha posto o meu tenis vermelho ao inves do sapato...).
* Um cachecol.
* Um Blusao azul, com capuz e cheio de pele.

Quando chego no trabalho, tiro o blusao e o cachecol...

Nao sei se por causa das calcas ou do minhocao, varios pelos me foram arrancados, gerando duas “clareiras” elipticas na parte interna das minhas coxas.

Ah... Nao vejo a hora de poder usar menos roupas... 
 

Mais sobre Viajar Sozinho


Viajando sozinho, eu fico bem mais observador, tanto com relacao ao ambiente a minha volta, como com relacao aos meus pensamentos. E eu acho isso extremamente interessante... Todas as pessoas deveriam viajar sozinhas alguma vez, para experimentar essa especie de estado meditativo. 
segunda-feira, janeiro 14, 2002
 

Antuerpia e Brugge


No ultimo final-de-semana fui pra Brugge e Antuerpia, duas cidades da belgica. Foi uma escolha interessante, pois Brugge foi uma cidade comercial muito importante na idade media e, quando entrou em declinio, Antuerpia tomou seu lugar. Visitei entao duas cidades, mas que tem alguma ligacao entre si.

Imagino que por causa desse carater comercial, Brugge e uma cidade bem diferente de Nurenberg, apesar de tambem ser medieval.

Cheguei no albergue de Brugge 12:20 e a recepcao so abria 13:00. Estava bastante calor e sem neve (ja faz mais de 1 semana que nao vejo Neve). Aproveitei pra comprar Uva numa loja do outro lado da rua. Fazia bastante tempo que eu nao comia frutas... Elas sao muito caras por aki, ja cheguei a ver bananas sendo vendidas por unidade...

Comprei na recepcao um mini-guia “Brugge by Foot”, perfeito para as minhas intencoes! Era so ir seguindo os caminhos sugeridos e passando em todos os pontos turisticos. Mas nao havia tantos “pontos”. Em Brugge existem mais “linhas”, “superficies” e “hiper-surpecies tridimensionais”; traduzindo: e mais o ambiente como um todo que conta.

Existem muitos canais, congelados em varios trechos, parecendo espelhos perfeitos... (com um pouco de po e lixo encrustado em alguns cantos) E muito legal: a agua vem correndo em regioes de “turbulencia”, dai comecam os espelhos de gelo (mas a agua continua correndo por baixo, evidentemente) e assim sucessivamente...

Por volta de 16:00, esfriou muito. Como antes estava muito calor, saira sem meu gorro. Tinha a minha disposicao apenas dois capuzes, mas eles nao esquentam as orelhas e deixam ventos frontais entrar. De tempos em tempo eu entrava em alguma loja pra esquentar. Entrei em varias de CD e tambem numa grande so sobre Historias em Quadrinhos...

Numa rua, olhei pela janela de um bar e vi um pessoal jogando algo numa mesa de sinuca sem buracos. Isso me fez lembrar quando eu assisti o “Piores Clipes” na MTV e o Marcos Mion zuava com o Michael Jackson porque as mesas de sinuca no clipe dele eram sem buracos... Well, de fato existem mesas sem buracos.

A noite, no albergue, havia dois espanhois folgados que baguncaram todo o quarto e roubaram a minha cama. Eu havia deixado a minha roupa de cama sobre uma das 3 camas livres, obviamente indicando que aquela cama ja estava ocupada e quando cheguei de volta a noite, os imbecis tinham tomado a cama pra eles e eu tive que ir pra cima de um beliche. Eu gosto do topo do beliche, mas e muito ruim de arrumar a cama (mas ja estou pegando o jeito). Que maldicoes recaiam sobre a jornada daqueles idiotas...

Tambem havia um Japones que trabalha em Budapeste no meu quarto. Tambem nao conversei muito com ele, mas pelo menos ele tem uma nocao de dominio bem desenvolvida.

No Domingo, pretendia pegar o trem pra Antuerpia 9:05, mas fiquei com preguica de levantar e, no fim, foi bom. O proximo trem era 10:05 e eu acabei indo pra estacao junto com duas Argentinas e chegando la, acabamos pegando o mesmo trem (Elas estavam indo pra Amsterdam). Entao tive companhia na 1 hora e meia de viagem ate a Antuerpia. Como ja me acostumei com as paisagens dessa regiao, andar de trem sozinho esta comecando a se tornar monotono. Mas ainda e bem mais rapido, psicologicamente rapido e divertido que andar de onibus. O clipe da musica Star Guitar do Chemical Brothers retrata bem essa monotonia de paisagem do trem.

O ruim e que o espanhol argentino e muito dificil de entender. O espanhol mexicano e bem mais facil.

A antuerpia tem a estacao de trem mais bonita que eu ja vi ate agora, mesmo estando em reforma. Pelo que eu entendi, depois da reforma, a estacao tera tres andares de plataformas de trens!
Logo saindo da estacao, encontrei o centro de informacoes turisticas, onde me deram um catalogo cheio de informacoes e um mapa da Antuerpia. Gostei da infra-estrutura turistica tanto de Brugge quanto da Antuerpia.

Antuerpia tem predios monumentais, com estatuas de ouro no topo (assim imagino eu, por serem douradas, mas nao posso, evidentemente, ter certeza). Tambem e cheia de estacionamentos subterraneos, o que torna as ruas livres da poluicao visual dos carros estacionados, bem mais agradaveis.

E, em contraposicao a ausencia de carros, havia muitos mercados de tudo quanto e coisa nas ruas. Tinha uma regiao so com animais a venda: coelhos, galinhas, esquilos, passaros tropicais, ramsters (e varioas gaiolas diferentes para eles), gansos...

Aconteceu uma coincidencia bizarra nesse final-de-semana: Pelas ruas de Brugge, vi um japones, com uma aparencia nao-usual e inconfundivel (barba comprida, cabelo comprido e careca, com uma faixa na testa), tirando fotos... E o vi de novo na Antuerpia no dia seguinte!

Quando eu sentava nos bancos da cidade, as pombas vinham pedir comida...Elas deixavam passar a mao! Por que sera que as pombas daki sao tao mansas e as do Brasil sao tao ariscas? Numa das vezes, duas pombas (um pombo e uma pomba) se acasalaram do meu lado, a apenas 40 cm de mim! Nunca havia visto um acasalamento de passaros! Pensei em tirar uma foto, mas o ato durou apenas uns 30s...

Entrei num Museu da Tortura muito legal, onde pude ter uma vaga ideia da sadica criatividade humana! E realmente divertido observar as pessoas julgando-se umas as outras, apoiando-se inconscientemente em principios completamente relativos... E cada geracao acha que os seus principios sao mais justos e seus metodos menos crueis, mas tudo que ha e apenas a disputa pelo poder, de forma cada vez mais dissimulada e artificial. De forma tao dissimulada, que as pessoas disputam pelo poder ate consigo proprias, buscando o auto-controle, que no fim so pode vir naturalmente com a paradoxal consciencia dessa selvagem vontade interna do poder.

Outro fato interessante, nessa minha viagem, eu fui bastante para oeste, mas continuei dentro do mesmo fuso horario. Isso me permitiu observar que as horas de Sol foram deslocadas para mais tarde (amanhecia e anoitecia mais tarde...). 
sexta-feira, janeiro 11, 2002
 

O Euro


A passagem de ano de 2001 pra 2002 esta sendo historica pra Europa (e, consequentemente, para o mundo), pois o Euro passou a circular!!!

A Alemanha e a Holanda ja estao bem adaptadas. Em 1 de janeiro, em Nuremberg, tudo ja estava funcionando a base de Euro; A tarde, peguei no banco automatico minhas primeiras notas novinhas de Euro.

Quando cheguei na Suica, as pessoas la estavam bem despreparadas e eu tive que pagar varias coisas com cartao de credito (albergue, comida na estacao de trem...). Quando aceitavam Euro, demoravam uma eternidade para fazer a conversao...

Um fato interessante: Cada pais produz suas proprias moedas de Euro! Dessa forma, a Europa tem um dinheiro unico, mas sem perder a diversidade... As moedas alemas tem uns monumentos, as holandesas tem uma imagem da rainha, as que eu consegui na suica tem uma mulher...

Essa diversidade e muito boa pra mim que coleciono moedas! E uma coisa ruim e que tem varios paises da Europa dos quais ainda nao tenho as moedas antigas, que iram lentamente desaparecer... 
 

Calcadas Congeladas


Quando eu tentava imaginar o frio das regioes temperadas, me vinha a imagem de Neve, mas nunca gelo no chao!

As Calcadas e Ruas chegam a congelar. Em Berlin, havia lugares em que era mais facil patinar que andar (quase cai varias vezes, ao pisar em "pocas de gelo")... Em Nurenberg, vi carros incapazes de subir ruas com inclinacoes de poucos graus... 
 

Passaros


Aqui na Holanda, os passaros voam em bando. Isso foi um contraste que eu observei com relacao ao Brasil. No Brasil existem muito mais passaros que voam sozinhos ou em pequenos grupos. Aki os bandos sao enormes. No caminho do Aeroporto para boxmeer, havia bandos tao grandes que tudo que se via era uma imensa mancha preta no ceu, se movendo caoticamente. A cor mais comum dos passaros por aki e preto (tambem, aki tudo e cinza... eles tem que ser pretos para se camuflar!). 
 

A Volta ao Trabalho


Tenho feito o protocolo de testes para a STEEL (Linguagem de programacao que esta sendo desenvolvida pela Pulse). O Dave e o Arthur tem feito protocolos de testes tambem, mas para outras partes do Software...

Ah... Isso e algo realmente cansativo, "suga". Mas hoje a tarde acho que eu praticamente terminei.

O "Test Protocol" consiste da documentacao, descricao, dos testes nos quais a STEEL deve ser aprovada quando em sua versao final. Tais testes devem usar todos os comandos da STEEL de todas as formas possiveis e impossiveis... (Sim, impossiveis... Essa e a parte mais interessante: testar comandos alem de seus limites. Mas isso tambem cansa com o tempo)... O documento que eu tenho escrito no Word com essas descricoes ja esta com 60 paginas... 
 

A Vinda e a Nao-Vinda dos Meus Pais


Finalmente terminei de contar sobre as ferias. Agora da pra por em dia o que tem acontecido desde que cheguei.

O fato mais importante dessa semana foi a noticia da vinda dos meus pais pra ca! E tambem a noticia da nao-vinda...

Meu pai viria para uma Reuniao e uma semana depois minha mae viria... Iriam para a Austria tambem. Mas hoje fiquei sabendo que a Reuniao foi adiada para Marco, entao... 
 

A Volta


No Domingo, dia 06/01, passei o dia inteiro em trens, voltando de Lausanne para Boxmeer, passando por Basel, Stuttgart, Karlsruhe(Cidade do Rudolf!!), Kolonia e Venlo. Fui capaz de pegar as conexoes extremamente rapido. Praticamente nao tive que esperar em estacoes...

O trem de Basel (Suica) para Kolonia estava lotado, com todos os lugares reservados... Mas agora eu estou pegando o jeito de viajar em trens sem reserva. Consegui um lugar vazio para todo o trajeto.

Em Karlsruhe, um alemao (que mora em Karlsruhe) entrou e sentou do meu lado. Ele estava indo pra Inglaterra, treinar Ingles num curso intensivo de 2 semanas. Conversamos bastante, o que fez o longo tempo de viagem passar um pouco mais rapido.
 
 

Geneva


No meu ultimo dia de viagem, sabado, fui pra Geneva (Geneve, Genebra).

E uma cidade sem muitas coisas para ver, sede de centenas de organizacoes internacionais (Cruz Vermelha, ONU...).

Passei em frente e em volta da ONU e depois entrei no museu da Cruz Vermelha, que conta sua origem, sua historia e o que tem feito atualmente. Depois andei pela cidade e, quando ja estava proximo de escurecer, entrei em dois museus gratuitos: um sobre Relogios e outro de Historia Natural.

No de Historia Natural, comprei um Giroscopio, artefato que procurava ha tempos. Para quem nao conhece: E algo extremamente simples, mas o fenomeno mostrado contem um dos maiores misterios da natureza: a Inercia, algo extremamente cotidiano... e mesmo assim ninguem, ate hoje, foi capaz de explica-la satisfatoriamente.

Geneve tambem e onde fica o CERN, um dos mais famosos aceleradores de particulas do mundo. Acabei nao indo, pois era longe do centro da cidade e imagino que pouca coisa esteja disponivel para o publico (o acelerador, de fato, e um tunel circular subterraneo)...

Voltei pra Lausanne. No albergue ocorreu uma coisa estranha. Eu fiquei num “Dormitory” (Dormitorio com 8 camas... Quartos individuais ou com menos camas seriam evidentemente mais caros) e nesse tipo de quarto so ha uma chave para os 8 alberguistas.

Entrei no Dormitory e tive impressao de ouvir duas pessoas falando portugues, mas o sotaque era estranho e achei que fosse uma lingua proxima. Como logo pararam de falar, fiquei na duvida... Sentei encostado na parede comendo meu queijo, meu chocolate e tomando meu suco de frutas, ate que um deles me perguntou em ingles como funcionava o esquema da chave. Ficamos um longo tempo falando em Ingles, eu tentando explicar o complicado esquema da chave... (Na Suica, meu Ingles estava inexplicavelmente mais travado). Quando finalmente chegamos num nivel adequado de compreensao sobre a chave, ele me perguntou de onde eu era e quando respondi “Brasil”, ele falou em portugues e comecamos a dar risada da situacao: dois brasileiros se comunicando desnecessariamente em ingles...

Eram tres brasileiros de Florianopolis. (O sotaque era bem diferente e eles falam mais rapido do que eu estou acostumado... Alem disso, como ja estou ha algum tempo fora do Brasil, meu cerebro ja se acostumou a nao ouvir portugues regularmente...) Todos eles passaram um ano estudando na Franca, com uma bolsa da CAPes. Ficamos conversando na sala de Televisao. Assisti um pedaco do filme “Para Sempre Cinderela” em Frances...

Sobre a Bolsa:
* Bolsa de Graduacao-Sanduiche da CAPes para alunos de Engenharia.
* 1 ano da graduacao e feita no exterior.
* 100 vagas para a Franca, 100 para a Alemanha e 30 para USA.
* 800 dolares por mes...
* Os candidatos a bolsa devem fazer uma prova de selecao quando estao no terceiro ano do curso de engenharia do Brasil. Nao podem ter nenhuma segunda epoca ou reprovacao.

Nao parece interessante? Mas busquei mais informacoes nesta semana e descobri que 2001 foi ultimo ano desse programa da CAPes, que existiu por 4 anos... 
 

Gruyeres


A primeira cidade proxima de Lausanne que visitei foi Gruyeres, uma cidade medieval, com um castelo muito interessante contendo uma fantastica exposicao permanente de arte fantastica.

Gruyeres ja fica a 800m acima do nivel do mar e estava cheia de neve. Fica em cima de uma montanha, a qual tive que subir a pe, pois a estacao de trem e no pe da montanha.

Depois de visitar a cidade (uma unica rua), o castelo e a exposicao, desci a montanha e entrei numa fabrica de queijos (La encontrei tres brasileiros...). Haveria uma producao demonstrativa de queijo 14:00, mas eu preferi pegar o onibus 14:01 para o Moleson, o maior pico dos alpes da regiao (2002m).

Para subir no topo, peguei um teleferico bizarro e um outro tipo estranho de transporte que eu nao consigo explicar... La em cima havia uma lanchonete/restaurante e dava pra ver todas as montanhas, o lago de Geneva... Ha uma estacao meteorologica la e um monitor apresentava as informacoes do local: Temperatura de -4,8 Graus, 87% de umidade, Vento de 10km/h, Pressao Atmosferica de 0,8atm...

Estava um dia de Sol. Os efeitos de luz nas montanhas eram muito legais... No topo havia uns passaros negros grandes que sempre voavam em dupla (havia duas duplas).

O Moleson e uma estacao de Ski. A primeira que eu vi! Primeira Impressao: Ski e coisa pra doido! Os karas descem inclinacoes absurdas! Eu vi uma crianca de uns 6 anos descendo o penhasco entre o topo e o pe da montanha...... Como o meu tempo ali era curto, nem procurei descobrir como esquiar; Fica pra outra vez...

Devo ter ficado por volta de uma hora e meia no topo, mais meia hora no estagio intermediario e mais meia hora no pe da montanha... Ai ja estava escurecendo...

Peguei onibus e trem de volta... Ah, uma coisa interessante: Nao ha fiscalizacao nos trens, metros e onibus regionais e municipais! Tudo baseado na confianca; na “Disciplina Consciente (DC)”, como se diria no ITA.

Quando cheguei em Lausanne, errei o caminho para entrar no metro e acabei caindo dentro de um provedor de InterNet! Ja fazia seculos que eu nao conseguia usar acessa-la decentemente! Usei entao meia-hora para ver e-mails, mandar e-mails... 
quinta-feira, janeiro 10, 2002
 

Lagos Congelados


O primeiro que eu vi foi em Kolonia e a descoberta foi um tanto bizarra. O lago nao estava muito congelado, entao o gelo estava bem fino, transparente e da cor da agua. Por isso, eu inicialmente nao percebi que ela estava congelado. Ate que depois de algum tempo, eu me toquei: “Ei. Eu estou vendo as patas dos patos... E eles estao andando ao inves de nadar!” 
 

Lausanne


No dia 2 de janeiro, viajei o dia inteiro de trem, saindo de Nurenberg, trocando de trem em Stuttgart e Zurich, ate finalmente chegar em Lausanne. O trem de Stuttgart para Zurich estava lotado e eu fiquei espremido no corredor junto com um monte de gente. Na Suica peguei uns trens interessantes, que inclinam nas curvas (ou talvez os trilhos sejam inclinados... nao consegui definir), de forma tao suave que e praticamente impossivel perceber que ha uma curva...

Nao tinha a minima ideia do que eu iria encontrar em Lausanne. Meu roteiro de viagem estava extremamente desestruturado e tudo que eu tinha de informacao era um mapa com as principais linhas de trem e o guia de albergues (que nao tem nenhuma informacao turistica). Quando em Nurenberg, fiquei olhando os principais albergues da Suica e minha intuicao ficou entre Lausanne e Grindelwald. Vi na InterNet que o albergue de Grindelwald parecia estar lotado, entao fui pra Lausanne.

Enfim, Lausanne fica na beira do lago de Geneve, um lago enorme, todo circundado pelos alpes. Tao grande que ate tem algumas ondas fracas. A altitude da cidade e so 300m acima do nivel do mar.

Logo que cheguei e no primeiro dia, estava muito calor (uma sensacao termica de uns 5 graus)(depois esfriou um pouco). A cidade tem um pouco de vegetacao mediterranea e o idioma local e o frances. Parecia que eu estava no Sul da Franca. E nao havia nem sinal de neve.

Lausanne e a sede do Comite Olimpico Internacional e por isso e chamada de a “Capital Olimpica” e tem um museu das olimpiadas que foi reformado em 2001 (super moderno). Nesse museu tem toda a historia das olimpiadas modernas (tanto as de verao quanto as de inverno), todas as tochas usadas, um cinema 3D (Assisti a abertura da olimpiada de Sydney nele) e coisas de diversos esportes...

Percebi, lendo os folhetos turisticos, que Lausanne nao teria muito mais coisa para ver, mas que em volta do lago havia varias cidades interessantes. Decidi ficar dormindo em Lausanne ate o fim das minhas ferias e viajar de trem para as cidades vizinhas nos dias seguintes (por sorte, Lausanne estava num lugar bem estrategico para fazer isso).

Depois de visitar o Museu Olimpico, fiquei andando pelos parques e “praias” na beira do lago, vi o Sol se por atras dos Alpes e visitei umas ruinas romanas.

Nessas ruinas romanas havia um lago congelado. Andei por cima do lago!!! Quando eu estava no meio, o gelo estalou um pouco, mas nada grave aconteceu... Muito estranho.. 
quarta-feira, janeiro 09, 2002
 

Nurenberg


[31/12/01 - Albergue em Nuremberg] Cheguei em Nuremberg logo cedo. Enquanto procurava o albergue, me perdi varias vezes, pois o mapa do guia e horrivel e os locais de informacoes turisticas ainda nao estavam abertos.

Nuremberg e uma cidade grande, mas a “altstadt” (cidade antiga), interna aos muros medievais, e bem pequena: estimo uns 6 kilometros quadrados.

Os italianos que eu conheci em Berlin estavam vindo de Nuremberg e me disseram que era um lugar muito interessante. Gracas ao comentario deles, decidi vir pra ca (depois que descobri que brasileiros precisam de visto para entrar na republica tcheca (Praga) e a embaixada tcheca em Berlin estava fechada). E fiz uma otima escolha! Nuremberg e muito legal! Tem 900 anos de idade e a “altstadt” tem um ambiente bastante medieval!

Desde que eu deixei o Brasil, Nuremberg foi a primeira cidade que eu visitei que nao e totalmente plana...

O albergue aki e demais! Fica num castelo medieval, no topo de um morro. Da pra ver Nuremberg inteira. Os unicos problemas do albergue: a InterNet nao estava funcionando direito e eles nao aceitam maiores de 26 que estejam viajando sozinhos (isso ocorre numa regiao da alemanha).

Quanto ao muro: de todas as cidades que eu ja vi, Nuremberg me parece ser a que foi mais fortificada. Alem do muro, tambem havia um poco circundando a cidade.

Nao entrei em nenhum museu. Fiquei apenas passeando pela “Altstadt” curtindo o ambiente medieval por dois dias (31/12 e 01/01). No primeiro dia fez bastante Sol e ceu azul, o que deixou a cidade mais bonita ainda.

Havia bastante neve acumulada no chao... Era complicado subir a ladeira congelada ate o albergue. Presenciei alguns carros nao conseguindo subir ruas com inclinacao de poucos graus por causa do gelo...

Nao havia nenhum latino-americano alem de mim no albergue. No meu quarto havia um Japones e um Chines, que falavam um pouco de ingles e alemao, entao conversamos numa mistura dessas duas linguas.

Quanto ao Reveillon: Eu e o Japones fomos num concerto na igreja de Sao Lorentz, entre 22:00 e 23:00. Na porta da igreja, uma mulher nos deu um ingresso, entao acabamos pagando apenas metade do ingresso para estudantes! Na igreja, sentei naquelas cadeiras estranhas que ficam nas laterais... Do nosso lado, sentaram tres estudantes de International Business de Nuremberg (um da alemanha e dois da Indonesia), com quem conversei. Estava com muito sono e acabei dormindo em partes do concerto. Ao fim, fomos, junto com grande parte da cidade, ate o topo do morro do castelo, ficar vendo os fogos de artificio de la... Estava muito, muito frio...

Sobre os fogos de artificio: Os alemaes sao doidos!!! No Brasil, as pessoas juntam um monte de fogos num canto e quando da meia-noite, eles sao explodidos. Em Nuremberg, cada cidadao estava armado com kilos de explosivos e fogos de artificio e tambem com armas de fogo e ficava explodindo e atirando em todos os cantos e esquinas e a toda hora (entre 23:00 e 01:00, principalmente)... Era ate dificil e perigoso andar pelas ruas. Aki na Europa, tambem e comum o uso de fogos de artificio no chao, ao inves de mandar pro ceu... 
terça-feira, janeiro 08, 2002
 

Berlin


[??? - Albergue em Berlin] Nao tive problemas para chegar em Berlin, que logo me pareceu uma cidade muito mais viva. Peguei um metro ate o albergue. Adoro metros!!!

No meu quarto havia so 4 camas (ate agora, os albergues em que fiquei tinham por volta de 12) e tinha dois italianos legais la. Um deles coleciona facas e tinha comprado uma espada. Eles me deram uma moeda da italia antes de partirem.

Guardei minha mochila no quarto e logo desci pro hall do albergue, que e muito grande, com um bar, terminais de InterNet, telefones e varias mesas.

Fui telefonar e tive impressao d eouvir alguem falar do Brasil na mesa ao lado. Telefonei pra casa e depois comecei a conversar com o pessoal da mesa: varios mexicanos, viajando separadamente, e um brasileiro que estuda medicina em Sao Paulo. Comecamos a conversar em Portugues e ai uma outra brasileira de Sao Paulo, Adriana, apareceu. Curiosamente, quando desci, passei por ela e sua aura me chamou a atencao. Talvez eu esteja desenvolvendo um faro para brasileiros...

O Brasileiro foi embora ja no dia seguinte, mas a Adriana tinha acabado de chegar do Brasil e iria ficar em Berlin aproximadamente o mesmo tempo que eu pretendia ficar, entao comecamos a visitar a cidade juntos.

Nos disseram que era interessante pegar o onibus 100, que passava em frente a varios pontos turisticos. No mapa havia um 100 e entao fomos para la. Chegando, descobrimos que aquele 100 era na verdade o numero de uma estrada! Nada a ver com o onibus que queriamos.

Depois de algum tempo procurando, finalmente encontramos o onibus e percorremos toda a linha, descendo na catedral destruida (destruida parcialmente durante a guerra e, deliberadamente, mantida sem restauracao), no parlamento (estava uma fila enorme e nao entramos). Depois fomos na ilha dos museus e entramos no Pergamon, que contem coisas da Grecia, da Babilonia e de nacoes arabes. E incrivel o quanto os alemaes saquearam dessas regioes: havia praticamente uma cidade grega reconstruida dentro do museu.


[31/12/01 - Albergue em Nuremberg] A noite ficavamos conversando com varios mexicanos e um argentino, dos quais ficamos bastante amigos. Tomavamos cafe da manha juntos e conversavamos a noite, ate tarde da noite (tanto que eu estou extremamente atrasado nesse diario. Nesse exato momento ja estou em Nuremberg e nem terminei de contar o primeiro dia em Berlin...). Uma vez a Adriana quase brigou com o Argentino, por acha-lo muito machista. E e incrivel como esse pessoal conseguia “bizus” como descontos, InterNet gratis...

No segundo dia fomos visitar um pedaco do muro de Berlin, o parlamento e outras coisas que nao estou me lembrando.

Estava muito frio e havia muita chuva enquanto esperavamos na fila para entrar no parlamento, de onde da pra ver Berlin inteira e tambem pisar nos politicos (e la que tem aquela cupula de vidro, da qual da pra ver os politicos de cima). Justo nesse dia eu havia posto menos roupas (so tres camadas de blusas, uma camada de calcas e uma meia).

No terceiro dia, a Adriana foi visitar uns amigos alemaes que moram em Berlin e entao eu voltei a viajar sozinho. Ela e formada em farmacia e trabalha na Schering, empresa alema atraves da qual conheceu esses amigos.

Sozinho, as distancias pareciam mais longas e o cansaco mais intenso. Visitei o museu da tecnologia, que contem muita informacao interessante (trens, telecomunicacoes, moinhos, fabricacao de cerveja...), mas e muito pouco interativo... Como eu estava sozinho, desejava ter encontrado algo menos monotono. Tambem visitei alguns parques e a casa do presidente.
Como nao sabia exatamente quanto tempo queria ficar em Berlin, eu ia fazendo o “Re-Check-In” quase toda manha. Por causa disso, fiquei em tres quartos diferentes no Albergue. O maior problema era ficar arrumando e desarrumando a cama e a mala quase todo dia...

Do segundo pro terceiro dia, dormi num quarto onde havia dois karas do Mexico e um da Costa Rica, que fazem mestrado na Inglaterra. O Kara da Costa Rica, Daniel, falava Portugues bastante bem e conversou bastante com a gente, a ponto de descobrirmos uma bizarra coincidencia: a Adriana conhece um kara que mora em Sao Paulo e estudou com o Daniel no colegial!

Do terceiro pro quarto dia(ultimo dia) aconteceu algo engracado. Cheguei no meu novo quarto no inicio da noite e perguntei para o pessoal “where are you from?” e ouvi de um deles: “Brasil!”. Era o Marco, tambem da cidade de Sao Paulo, que chegara de Amsterdam no dia anterior.

Por volta de 21:00 do terceiro dia, chegou um casal de brasileiros, Ana e Bruno(!!!), que ja haviam conhecido o Marco em Amsterdam... Ficamos conversando ate 1:30 da manha. (A Adriana foi numa festa com os amigos berlinenses e voltou 5:00). No meio da conversa, mais uma brasileira apareceu! (A galera mexicana ja tinha ido toda embora e agora comecava a aparecer muitos brasileiros). Os assuntos foram viagens (padrao entre alberguistas), mas tambem diversas outras coisas, das quais a mais bizarra foi uma extensa divagacao sobre como seria o mundo caso se usassem sistemas alternativos de marcacao do tempo...

No quarto dia, eu e a Adriana fomos num outro pedaco do muro, mais interessante e maior, que ela conhecera com os berlinenses. Depois viajamos 1 hora de trem e onibus ate um campo de concentracao. Foi uma viagem cansativa, especialmente porque ambos tinhamos dormido muito pouco, mas valeu a pena. O ambiente la era sinistro; o campo era enorme. Pude ver como eram “os alojamentos”, as prisoes... Quando estavamos saindo, um alemao cujo sobrenome era Strnad comecou a conversar conosco numa mistura de alemao, ingles, espanhol e italiano e contou-nos diversas coisas sobre o campo. Fui capaz de compreender bastante do que ele disse. A Adriana mais ainda, pois ja estuda Deutsch ha 3,5 anos usando a mesma serie de livros que eu tenho usado. (Eu estudo ha apenas 8 meses).

Depois de voltarmos para o albergue, fui sozinho ao Checkpoint Charlie, um museu com muitas informacoes e objetos da epoca do muro, contando tambem sobre as varias fugas (dentro de motores de carros ou de malas, voando de aviao e de balao, atraves de tuneis, nadando pelo mar, usando a labia...). Como eu so tinha 7 anos na hora da queda do muro, eu precisava ir num lugar que me fizesse sentir a epoca.

Voltei pro albergue e rapidamente peguei minha mala, mandei um e-mail... eu e a Adriana entao trocamos NLGuilders por Marcos Alemaes, usando uma cotacao da Internet e fomos rapidamente pra estacao. Chegamos meio em cima da hora. Nosso trem era o mesmo, mas vagoes diferentes. No meio do caminho o trem se dividia: o dela ia pra Amsterdam e o meu pra Nuremberg. Dois dias atras, ja havia reservado um “couchette” pra mim no trem, entao deu pra ir dormindo tranquilo sem ficar no corredor dessa vez. 
Notícias da Holanda
Diário da viagem à Holanda.
Estágio na Stork em Boxmeer.

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